11 de maio de 2009

haicais







É liga

















O amor
Não é argamassa
Que recompõe
A coluna
Nem soda cáustica
Que decompõe
Corpos sólidos.
Amor
É coisa divina
Que liga
A terra e o céu.

6 de maio de 2009

Revisitada










Olímpia,
O teu nome tem gosto de pitomba
Doces lembranças da fazenda
E amargo de olhar o passado distante.

Olímpia,
As tuas filhas têm a fluidez
Das distâncias não percorridas.
E ainda são polidas como a brisa.

Olímpia,
A tua amizade resiste
Às ferrugens, às ondas
Ao calendário e aos feriados.
Ainda que passe tudo.
Permanece a figura patriarcal.

A mim só cabe pedir perdão
Pelo silêncio e pela inexatidão.

5 de maio de 2009

Existe em nós

"In Fragmentos" são Sementes, de Novalis, é um livro que volto muitas vezes. Leio alguns dos seus poemas como se fossem orações.


Existe em nós
um sentido especial para a poesia,
uma disposição poética.
A poesia é absolutamente pessoal,
e por isso indefinível.
Quem não souber nem sentir
de forma imediata
o que é a poesia,
nunca poderá aprendê-lo.
Poesia é poesia.
Diferente, como a noite do dia,
da arte da fala e da palavra.

Novalis
(in Fragmentos)
Tradução de João Barrento

4 de maio de 2009

Haicais













a abelha vive muito
porque só carrega o que pode
– é o excesso que mata


uma canoa à beira do rio
é mais útil ao viajante
do que suas vestes de cetim


não é força nem o tamanho
que mantém o leão vivo
mas sua paciência e persistência

3 de maio de 2009

Na imaginação


Você é tão bonita
que não sabe nada
do que eu gosto
eu gosto de batata frita
você gosta de biscoito
de água e sal.
eu gosto de noite e lua
você gosta de sol e praia
eu gosto de café, pão e banana
Você gosta de arroz, feijão e suco natural.

Você é tão bonita
que não sabe nada
do que eu aprecio
eu assisto filme de ação
você assiste a sessão da tarde
eu ouço música lenta
você prefere cantiga de roda.

Você é tão bonita
que eu não sei
onde você mora
só sei que você existe
num cantinho
da minha imaginação.

Haicais

quem pode mais
o barulho do mar
ou a rajada de ventos?

a coruja no toco
passa a noite enluarada
na dúvida: vô-num-vô

a tarde veio mansamente
deixando o sol amarelo
de raiva e de solidão