
a beleza do sabiá
não está nas penas
mas no canto matinal
o que inebria
a abelha silvestre
é um jardim florido
fruta que pássaro
não procura
cuidado, é veneno!
3 de junho de 2009
Haicais
2 de junho de 2009
Seria
Para o céu dos céus
Minha mulher
Seria as estrelas desse céu.
Ainda que atravessasse
O mar dos mares
Minha mulher
Seria os grãos de areia
Da minha praia.
Ainda que percorresse
Todas as distâncias da terra
Minha mulher
Seria o destino dos meus passos.
Ainda que... Ainda...
Minha mulher seria...
1 de junho de 2009
29 de maio de 2009
Grudadas na alma
Quando o rio
Não tinha a ponte
O Zé Barqueiro
Com a sua calma
E seu canto oníssono
Ligava a cidade
Ao norte
E ao mundo
Que girava
Sobre quatro rodas.
O rio dava nuances
Das estações
E a lua refletida
No espelho das suas águas
Cristalinas guardam as lembranças
Que não passam nunca
Pelo vagar do tempo
Mas que ficam sempre
Grudadas na alma
E no coração.
26 de maio de 2009
Os sonhadores


Era noite
Aquele 28 de maio
Do ano de 1968
Quando fecharam
A cinemateca
Da cidade luz.
Não foram ao vento
E em vão lançadas as pedras
Ao resquício da intolerância
De gente bestial e bruta
Tomando o poder pelas mãos
A fumaça das bombas
Acordou os jovens
Do velho mundo
E despertou os homens de bem
do mundo inteiro.
Aquela noite foi tão longa
Que os intelectuais
Pararam de escrever
E começaram a sonhar
Com um amanhecer
Cheio de imagens
De cenas da sétima arte
E dos tempos modernos.
25 de maio de 2009
O aniversário
Não pude ligar
Estava distante e afônico.
Mas o que é a distância
Quando é o sentimento do amor
Que pulsa dentro do nosso coração.
A nossa relação é forte, filho!
É profunda como as estações do ano
O outono e a primavera
O fruto e a flor
O meu amor não é apenas um sentimento
É muito mais – é alimento.
Não pude ligar
Estava distante e afônico.
Mas, filho, pensei em ti
Como eu penso em ti
Todos os dias e todas as noites
E hoje que é o teu aniversário
Eu me senti muito mais feliz
Porque tu és o outono
E eu sou a primavera
Tu és o fruto
E eu sou a flor.
22 de maio de 2009
O pão da vida
faz sentido na mente
enquanto o tempo passa
nos meus olhos cansados
atiro-me no obscuro
desejo da fama,
ensaio sonhos coloridos
sentado neste mundo real
olhando a maldade
e lidando com as inverdades
que vão dando sentido
a esta farta mesa de misérias
onde mastigo o pão da vida
e bebo o vinho do embriagado.
São Paulo, 18/12/80



