9 de dezembro de 2010
8 de dezembro de 2010
descanso eterno
7 de dezembro de 2010
as cigarras
as mobílias
há as estações do ano
e as da vida.
hoje caminho
por desertos
entre as margens
de um rio
que já secou.
as mobílias
da casa que morei
foram comídas
pelos cupins.
a esquina da rua
de terra que eu brincava
virou um enorme deserto
que guarda o silêncio
de pedras semiprecisosas.
e na gaveta ficou
apenas as manchetes
de um jornal
sem edição
e as lembranças
de uma enorme janela
feita de madeira de lei.
5 de dezembro de 2010
uma breve luz
hoje o dia amanheceu
sem nenhuma ruga
só uma breve luz
que surgiu lentamente
num dos cantos do mundo.
as brancas nuvens
que se formam no céu
parecem asas livres de pássaros.
a claridade vem mansamente
nos pés das sombras de cetins,
nos olhos da mira das águias
e nas mãos suaves das estrelas.
cheio de esperança
escrevo este poema
com o brilho do sol
que fugiu do céu.
1 de dezembro de 2010
A procura
A cidade
que procuro
está aqui mesmo
neste continente
neste país
neste estado.
No vale
do rio de água doce.
Não preciso
de estradas ou mapas
preciso ter coragem
para seguir a memória.
Basta isso!
Seguir a memória!
soneto V
Solidão não paga conta,
desespero não abre portas,
sensatez não leva a lugar nenhum.
Sacrifício não abstém desejos.
O supérfluo não preenche vazios,
o sono não encurta noites escuras.
Vestes brancas não apagam desejos
nem perfumes caros não retêm momentos.
Desfrutar da companhia de uma mulher
Vale mais que uma taça cheia de vinho
ou uma noite de um prazer qualquer.
Não deixe nada para atrás
Faça todas as suas vontades
Sábio não é quem sabe, mas faz.





