11 de janeiro de 2011

haicai













o mundo parece que finda;
logo ali, depois da curva.
O resto é apenas neblina

Ainda há muitos sonhos


Hoje só quero o oceano
nas minhas mãos
e a lua nos meus pés.

Quero viver sem terra, sem pressa
e sem adornos.

E no cavalo alado
buscar o brilho das estrelas
e os raios do sol.

Quero apenas voar
em direção aos pássaros,
acordar bem cedo
para ver o dia nascer
e não ter nada o que fazer
nas tardes quentes
e longas de verão.

Ainda há muitos sonhos
que as noites curtas
e chuvosas não conseguiram
dissipar ou apagar.

E ainda há na minha vida
uma linha paralela e quase infinita.

10 de janeiro de 2011

Silicone

(Mulher deitada e cachorro, 1954 - Di Cavalcanti)


seios desnudos em excesso
são tão falsos
quanto cabeça de bacalhau
no mercado central.

as marcas do tempo
não apagam as dores,
as memórias e as mágoas.

a alma não envelhece,
mas os dorsos das mãos, sim!

haicais















enquanto os novos
vizinhos não chegam
ainda ouço os gritos

outros amores prometem
se entrelaçarem do lado
de lá da meia-parede

que os vizinhos não troquem
só as cores da parede,
as portas e as janelas!

8 de janeiro de 2011

Silenciosamente

Quando o sol desponta
Mais um dia de saudade
Amanhece em mim.

Tudo me dá saudade
Até das coisas que não vivi.

A cidade, a rua,
O rio Doce, a casa amarela,
O apito do trem e a ponte de ferro.

Silenciosamente a saudade
Adormece a minha noite.

3 de janeiro de 2011

haicais


no primeiro dia do ano
houve grande alegria
no coração do Brasil


















a chuva que caia
não atrapalhou
a festa da democracia


















a posse da Dilma
teve a bênção
das águas e do povo.

2 de janeiro de 2011

Minha avó


Meus avôs, não conheci;
Minha avó, essa sim!
Ela, à tarde, sentava no banco de madeira
No fundo do quintal da minha casa
E com pente de madeira
Desembaraçava seus longos cabelos.

E eu, de longe,
Assistia a tudo calado.

Até hoje guardo na memória
Essa linda imagem
Da minha avó materna.