22 de abril de 2011

haicais

os ariscos sanhaços
não resistem ao banquete
que as figueiras oferecem.

o sol desponta
o lagarto sem pressa
toma um banho demorado.

o verão não traz
só as chuvas e os trovões
traz o alento do ano-novo.

na mata virgem
as plantas crescem
e dão frutos o ano inteiro.

sexta-feira santa


da varanda da sala
ao fogão de lenha do quintal
a minha casa guardava o dia santo
e aguardava a tarde de sexta-feira
ser encoberta pelo sábado de aleluia
e pela alegria da malhação do judas.

sexta-feira era o dia que não varria a sala,
não prendia os cabelos
nem brincava de cobra-cega.

a cidade mergulhada no silêncio
esperava os sinos da igreja
anunciarem a Ressurreição de Jesus
para começar a procissão e a cantoria.

20 de abril de 2011

choro infantil

à minha sobrinha-neta

a Valentina trouxe
leite materno
e afeto com cheiro
de criança.

boca pequena
cabelo liso
pingo de gente.

o seu choro infantil
desperta em toda família
enorme desejo de viver.

reencontro

ao Wanderlan

os nossos passos,
uns são largos,
outros lassos.

entrelaçados pelo tempo,
noutros espaços,
a bola aviva
nossas lembranças.

19 de abril de 2011

Bailarino

Ao meu amigo Leonardo Mordente


Não há limites
No corpo de um bailarino
Seus gestos ultrapassam
A capacidade da imaginação.

Nenhum movimento
Pode ser proibido ou inibido
Quando o bailarino
Entra em cena.

A dança confronta
O provisório e o definitivo.
O transitório e o infinitivo.

18 de abril de 2011

O mesmo

somos marinheiros
do mesmo barco.
atravessamos tempestades,
superamos ondas
e chegamos no mesmo cais.

cada um tem seu próprio remo,
mas o mar é o mesmo.

1 de abril de 2011

haicai

as abelhas retiram
da flor-do-cerrado, caliandra,
toda doçura do mel.