15 de dezembro de 2011

Credo

ao meu amigo Kal (Carlos Alberto de Lima)

a minha intenção
era apenas colher
um sorriso sobre o tempo,
lágrimas não.

cada dia já tem
o seu próprio fardo
gostaria abraçar-te, meu amigo,
mas não posso,
a distância não nos separou
apenas nos deixou de mãos vazias
o nosso credo não estava em sinagoga
nem em gestos humanos.

13 de dezembro de 2011

haicais

as chuvas de ontem
agitaram as folhas
das árvores da quadra

o telhado do prédio
não suportou as chuvas
da tarde de ontem

a enchente carregou
até os carros parados
nas ruas do bairro

12 de dezembro de 2011

A travessia

O rio
Da minha cidade
Era como a extensão
Dos meus braços

Perto da estação velha
Descia pelo beco
Dos armazéns do Carlomanho
Que ia dar nas pedras do canalão

Debaixo da ponte
Atravessava o rio a nado
Até alcançar a prainha dos Abelhas
E ganhava o mundo

9 de dezembro de 2011

haicais

a cotovia cinzenta
à noite dorme no galho
e durante o dia afia o bico.

se a sua pele macia
não roça na minha,
sou peixe fora d’água.

os quitutes da minha vó
eram feitos na gordura
e na fornalha de barro.

5 de dezembro de 2011

Pequenas coisas

Tudo passa
Todos vão embora
Permanecem apenas
As pequenas coisas.
A minha saudade
E as minhas lembranças:
A igreja católica
E a praça da matriz.
A igreja presbiteriana
E o alto-falante.
A pensão do Alidelmo
E o bar do Zé Preto.

2 de dezembro de 2011

haicais

a chuva da tarde
deixou a terra molhada
e os pássaros arredios

os ventos fortes
trouxeram as chuvas
antes da estação propícia

a janela ficou aberta -
a tempestade da tarde
inundou toda a varanda

1 de dezembro de 2011

Ninguém se afasta


O tempo não faz
A distância.
É a nossa mente
que mente
para as nossas lembranças.

Ninguém se afasta
de si mesmo.

Não adianta
atravessar ruas
correr estradas
navegar mares
as lembranças
vencem sempre.
Porque elas
estão dentro
de nós mesmos.