14 de março de 2014

haicais

o que é invisível aos outros
nas fotos antigas do colégio
são estrelas luzentes que surgem

quem diz que a mente
é mais forte que o coração
não conhece as águas do rio doce

13 de março de 2014

entardecer

aos meus contemporâneos do Colégio Libermann


"Não é por deixarmos de ver as coisas que deixamos de as sentir" (máxima Umbundu)


as fotos antigas postadas
é como velho baú,
um diário de chave perdida,
folhas amarelecidas pelo tempo:
o trote, o desfile, a formatura,
uma a uma, segredos, desejos e distâncias.

os anos passaram sim!
os receios são abjacentes às dores e às incertezas atemporais.

as recordações dos bancos do colégio
e das chuvas no verão acalentam
corpos cansados, desventuras e cabelos brancos.

o som do vinil... as discotecas... os bailes...
são passos arrastados... sonhos acordados... pedaços de vida...

É sempre preciso entardecer para nascer de novo.

12 de março de 2014

haicais

quantas saudades acendem
estas fotos do colégio
parece o entardecer do céu

o tempo é traiçoeiro, sim
tem o seu próprio ritmo;
mas, não apaga lembranças

coisas de antigamente,
tem nome e endereço certo,
pátio do colégio Libermann

10 de março de 2014

forja

as coisas mais preciosas
guardei dentro de mim:
corri atrás de pássaros
prendi entre os dedos borboletas azuis
soltei enormes papagaios coloridos
joguei amarelinha e biroscas de vidro
banhei nas águas de um rio barrento e doce
vi bois e boiadas estourarem nas ruas

hoje, meus olhos cansados, viraram deserto
vivo em solo morto e memória fraca

hoje, não invento mais nomes,
nem consigo forjar lembranças daquilo que não fui

6 de março de 2014

preciso


Homenagem à minha cidade natal, Conselheiro Pena

preciso de tão pouco:
a água da chuva
a ponte do rio doce
o remanso das águas
o silêncio das pedras
os ex-colegas do colégio
as fotos antigas
a casa da esquina
a rua do correio

e só mais um pouco de tempo...

5 de março de 2014

vários

meu livro de cabeceira
vem do além-mar
alma lusitana
vários em um só
tem melodia de fado
e gente em Pessoa

2 de março de 2014

sina poética

quando a vida me aperta
pra valer mesmo
pega meus braços e puxa minhas pernas
aí então é hora de ler Adélia Prado,
pra ela, o anjo esbelto mandou carregar bandeira,
pra mim, anunciou:
vai ser poeta sem precisar mentir
escreva somente o que sente
cumpra a sua sina poética
porque dor não é amargura
nem tristeza põe mesa