Sonho com um amor
Sem ânsia de duas pessoas
Tentando possuir a outra.
Eu quero muito mais.
Quero duas pessoas
Caminhando juntas
E buscando a vida
A cada manhã.
Braços dados
Caminhos cruzados
Solidão jamais.
Vida plena
Caminhos abertos
Paixão perene.
Viver é fácil. Conviver que é difícil.
Quero duas pessoas
Caminhando juntas
E buscando a vida
A cada manhã.
Braços dados
Caminhos cruzados
Solidão jamais.
Vida plena
Caminhos abertos
Paixão perene.
Hoje
Eu vivo
Apalpando
As tardes frias
Do mês maio.
E esperando
Uma aposentadoria
Que não vem
Como as manhãs
Ensolaradas
E tranqüilas
Tento
Cortar
O cordão
Umbilical
Que me prende
Ao tempo
De barbárie.
Tento
Mergulhar
Nas águas
Cristalinas
Do rio Doce.
Porque tenho medo.
Medo de não
Ter tempo
De voltar
À cidade
Que me viu
Nascer.
no inverno,
as cores e o riso
findam mais cedo
Disseram-me: seu pai morreu
Não se preocupe
Os seus ossos já descansam na terra.
Ainda bem que quando o homem morre
A sua filosofia fica para as próximas gerações.
A saudade permanece por muito pouco tempo.
Mas a lembrança fica e perdura para sempre.
Quando meu pai morreu
O país ainda estava sob a ditadura militar.
As mulheres já tinham renegado o soutien.
E a televisão não queria a tarja preta da censura.
A minha mãe, que morreu num domingo
E foi sepultada em um túmulo de mármore
Nunca foi libertária ou feminista
Apenas uma mulher muito prendada e resolvida.
E tinha o maior prazer de comemorar em julho
O seu aniversário para celebrar a vida.