à Marjorie Veríssimo Pinto de Paula, minha filha (corista do “Coral Nossa Voz” formado pelos funcionários da Universidade Federal de Viçosa/MG)

o teu vestido preto
fazendo ondas
como línguas
dos ventos
batendo nas folhas
tenras.
o teu xale cinza
enrolado no pescoço
descendo até o colo
parecia pequenas nuvens
estéries
o teu canto suave
parecia vozes do mar
chamando as naus
para uma jornada
sobre as águas
cristalinas.
o teu timbre trêmulo
parecia fibras de linho
imitando o barulho
de um oceano
distante.
o teu rosto rubro
parecia uma sombra
feita de espumas de algodão
e de uma breve luz
matinal.
e o concerto parecia
uma cascata de canção
descendo as montanhas
até deslizar suavemente pelos vales
madrigais.





