29 de setembro de 2011

Serra da triste esperança

Olha o que o meu amigo poeta, Luiz Dias, escreveu:
"O fogo ainda queima o que não era para ser queimado."


Que dor mais quente essa que o verde sente,
E que o fogo arrasa em brasa e queima os olhos da gente.
Meus olhos vermelhos, se pudessem, chorariam infinitamente,
E minhas lágrimas iriam cair, até o fogo sumir,
E acabar com essa dor da gente de ver o que não era para ser visto.
Não dá mais para relevar, tudo morto.
O chão está em silêncio, e a terra começa a preparar outras árvores.
Anos e anos passarão, até tudo voltar, como era antes.
Passarinho passarinhou para outro lugar,
Filhote, não; morreu, que nem bicho acuado.
Onde estava o homem?
A dor podia ter ido para longe.
Cadê as aves, árvores, cadê os bichos: fogo queimou.
O governo sumiu.
Rola moça, não existe mais.
Minha dor, preta, como chão queimado, clama por justiça:
Justiça para os justos,
Justiça para o verde.
Onde estava você, homem poderoso,
Que vive de voto e, para quem o verde não dá ibope.
Bichos, aves e árvores, sem culpa, morreram, num duro golpe.
Até quando, o verde precisará renascer das cinzas?
Você, aí, sempre guardado no castelo de ouro da liberdade,
Nada sentiu, o fogo não viu - o seu caminho, não é de gente.
A serra verde, não existe mais.
Como vocês conseguem dormir em paz?

Luiz Dias

1 comentários:

MIRZE disse...

UM POEMA DE TIRAR O FÔLEGO!

Deveria ser repetido em: A VOZ DO BRASIL!

Beijos

Mirze