30 de março de 2012

ainda lembro

lembro até hoje,
quando volto no tempo,
do padre Carlos,
sua batina preta,
suas bochechas vermelhas,
seus olhos claros
e suas passadas largas

e das risadas das moças,
quando, na homilia,
ele pedia para as mulheres
não virem de calça
(comprida)
e dizia que era heresia:
- Deus, às vezes,
não escuta as nossas orações,
mas vê tudo que fazemos!

lembro do meu pai dizendo:
- seja feliz!
e a minha mãe:
- pense duas vezes antes de agir!

lembro até hoje,
quando volto no tempo,
dos domingos, na casa da esquina,
a mesa era farta:
frango assado, macarronada,
missa e matinê

dos rapazes, nos bares,
esperando a madrugada,
a lua e a brisa mais fresca
para fazerem a serenata
debaixo de uma janela discreta
ou aparecia um pai bravo
ou uma moça muito bonita

e do mês de maio, a festa mariana,
barraquinhas, bexigas, bandeirolas
e o Zé barqueiro gritando:
- dou-lhe uma, dou-lhe duas,
dou-lhe três e está vendido!

2 comentários:

Mirze Souza disse...

Lembranças são VIDA!

No seu caso vida que se faz poesia.

Parabéns, Mauro!

Beijos

Mirze

Poeira Viajante disse...

Faço minhas as palavras da leitora acima.
Não existe vida sem nossas melhores lembranças!
Abraço.
poeiraviajante.blogspot.com.br